Para aqueles de nós que passamos nossas carreiras na interseção entre tecnologia e academia, o cenário atual parece familiar e profundamente precário ao mesmo tempo. Nos últimos 25 anos, o ensino superior construiu ecossistemas digitais incríveis. No entanto, quase imperceptivelmente, o "terreno comum" de nossa infraestrutura digital foi isolado por cercas.
Hoje, nossas instituições dependem cada vez mais de um círculo restrito de fornecedores proprietários. Embora essas ferramentas ofereçam conveniência, muitas vezes isso ocorre à custa da autonomia estratégica, da soberania dos dados e da capacidade de inovar de verdade. As universidades são as responsáveis pela promoção do ensino e da aprendizagem e estão em melhor posição para ajudar seus alunos a terem sucesso. Para que a tecnologia esteja à altura do momento atual, as universidades precisam estar no centro de sua criação.
Por isso, acrescentei meu nome à carta aberta redigida por Grupo Renascentista Aberto, uma iniciativa global liderada pela Fundação Apereo para ajudar o ensino superior a recuperar a liderança sobre sua base digital compartilhada.
A transição do consumo para a cocriação
Na minha função como Vice-Presidente de Engenharia do projeto Open edX na Axim Collaborative, vejo o "Open Renaissance Group" não como uma crítica ao presente, mas como um projeto para o futuro. Por muito tempo, o modelo para a tecnologia educacional foi o de consumoInstituições pagam por um lugar à mesa que não construíram e da qual não são proprietárias.
O Open Renaissance Group defende uma mudança em direção a co-criação.
Quando investimos em soluções de código aberto e padrões abertos, não estamos apenas comprando software; estamos investindo em Infraestrutura Pública Digital (IPD)Esta é uma infraestrutura gerida pela comunidade, para a comunidade. Ela garante que a "lógica" dos nossos ambientes de ensino e aprendizagem permaneça transparente e adaptável às missões únicas das nossas universidades.
Soberania digital na era da IA
O momento escolhido para essa mudança não é acidental. Estamos entrando em uma era definida pela IA Generativa — uma tecnologia que prospera com base em dados. Se nossos ecossistemas digitais forem "caixas-pretas" pertencentes a terceiros, perderemos o controle sobre nosso ativo mais valioso: nossos dados.
A soberania digital deixou de ser um mero "desejável" técnico e tornou-se um imperativo estratégico. Para garantir que a IA na educação seja ética, segura e alinhada aos valores acadêmicos, precisamos controlar a infraestrutura subjacente. Não podemos terceirizar a governança do nosso futuro intelectual.
Um apelo à liderança institucional
Como engenheiro, sei que o código por si só não resolverá isso. Como a Carta Aberta bem destaca, este momento exige Liderança em todos os setores—de presidentes e reitores a CIOs e tecnólogos.
Precisamos de uma gestão coordenada dos nossos bens comuns digitais. Precisamos ir além da "mentalidade de aquisição" e adotar uma "mentalidade de gestão responsável". Isso significa:
- Investimento renovado: Priorizar soluções abertas nos orçamentos institucionais.
- Participação ativa: Contribuir com os projetos de código aberto que dão energia aos nossos campi.
- Padrões Abertos: Exigir interoperabilidade (como LERs e Open Badges) para garantir a mobilidade do aluno.
Junte-se ao Movimento
No projeto Open edX e na Axim, temos orgulho de trabalhar com "Organizações Alinhadas à Missão", como a WGU, que já vivenciam esses princípios. Mas, para que esse renascimento se consolide, é necessário um apoio mais amplo.
Convido meus colegas de toda a comunidade global de ensino superior a lerem a Carta Aberta, assiná-la e se juntarem a nós em Salt Lake City, em maio, no evento... Conferência aberta edX enquanto continuamos este trabalho presencialmente.
O futuro digital do ensino superior está em nossas mãos. Vamos garantir que ele realmente nos pertença.
Ed Zarecor Vice-presidente de Engenharia, Projeto Open edX
Leia e assine a Carta Aberta: https://www.apereo.org/ORG
Saiba mais sobre a Apereo: https://www.apereo.org/
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